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domingo, 10 de julho de 2011

O Brasil que não quer ser ajudado.

Desde o evento da Magrela no ano passado e do meu resgate mal sucedido aqui no prédio, eu decidi que precisava fazer alguma coisa à respeito da causa animal à não ser me condoer e reclamar. Afinal, se desejamos ver algo modificado devemos nos empenhar em provocar/produzir essa mudança, passividade nunca tirou, nem vai tirar, nada nem ninguém do lugar.

Qual não foi meu choque ao descobrir que tentar ajudar em mutirões de castração em SP se tornaria uma saga praticamente impossível! As ONGs não respondem e-mails à não ser após muita insistência ou envio para e-mails pessoais conseguidos por vias indiretas, não passam endereço correto (no único que eu consegui ir, eu encontrei o endereço certo na net depois de ver q com o endereço q haviam me passado eu não achava em mapa nenhum), quando finalmente respondem um e-mail, e é só UM e-mail q vc terá então faça bom uso, não confirmam horário, local de encontro, telefone celular nem nada, de novo, só com muito custo. As ONGs q tive contato via e-mail até hj foram "No caminho da paz", a pior disparado e a "Reino das Patas", melhorzinha, mas é isso mesmo INHA.

E hj o mais deprimente contato de todos com a Estimacão, no qual aparecemos por engano, eu não consigo imaginar pra onde o suposto contato da "No caminho da paz" achou q eu iria pra Pirituba, mas como ele não respondeu meu e-mail pedindo o cel dele, eu não tive como ligar pra corrigir e quem sabe até ter ido ajudar. Pior, ficamos sabendo que seria um dia leve pra eles que normalmente castram 200-250 animais e hoje seriam só 100, logo poderia ser a perfeita oportunidade pra nos ensinar, pegar nossos contatos e nos chamar numa próxima oportunidade, certo? Errado. Fomos mandados embora, sequer convidados a observar o trabalho. Óbvio q voluntários novatos que aparecem inesperadamente podem atrapalhar uma operação azeitada, mas poxa, será q não estava evidente q aqueles 4 patetas que se deslocaram da zona sul pros confins de Pirituba num domingo às 7:30 da manhã estão na pilha de ajudar? Frustrante.

Eu vejo ONGs com outros trabalhos sérios e funcionando ao meu redor, tenho uma amiga q trabalha com o pessoal do Bicho no Parque q tem excelente experiências, tem o pessoal do Adote um Gatinho de tamanha transparência que eu efetivamente vi minhas doações pro inverno nas fotos. Agora me causa espanto e preocupação q qdo tem o dedo da prefeitura custeando essas operações miraculosamente eles virem tão difíceis de fazer parte, não digo q existe algo de errado acontecendo, mas não pudemos deixar de considerar isso hj.

Sai de um estado de espirito muito up, por ter conseguido carregar mais três pessoas comigo pra fazer esse trabalho pra completa descrença. Tentarei outras ONGs, mas não posso dizer q estou esperançosa.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

5 gatos, é o mínimo!

Agora com o blog eu começo a caçar assuntos e pensar no que eu vou escrever no próximo post. Fiquei doente nos últimos dias e comecei a prestar atenção que, no mínimo, eu estou sempre cercada por 5 dos 8 gatos.

Fabizinha na almofada dela no chão (ou no meu colo), Panquequinha na almofada do sofá que eu estou (ou no meu colo), Humbertinho na mesma almofada que a Panqueca gosta (quando ela não está lá) só que com a minha perna segurando a almofada no lugar pq ela não aguenta com o peso dele, Victor no sofá de 2 lugares, Pudim no chão embaixo da mesa de centro (ou no meu colo), Fóton nos meus pés (ou, mais raramente, no meu colo), Peteca no sofá de 2 lugares, Juju no sofá de 2 lugares embolada com a Peteca e o Victor (ninho de gato, nem dá pra saber onde começa um e termina o outro) ou na almofada da Fabi (a almofada é da Fabi, mas a Juju ousa usá-la um pouquinho, de vez em qdo, causando visível profundo desconforto pra Fabi que passa meia hora tentando descobrir onde vai deitar na almofada se a outra já está lá, mesmo que seja no cantinho).

Entre todas essas combinações alguém pode imaginar que eu sempre acabo com um gato no meu colo, mas a verdade é que não é bem assim... As figurinhas que estão SEMPRE lá são a Fabi, Panqueca, Victor e Fóton. Os outros 4 se alternam. Ou seja, dos 3 que realmente competem pelo meu colo (Fabi, Panqueca e Pudim) só 2 ficam lá um montão e o Pudim é muito peludo coitado, ele sobe no meu colo, mas logo começa a morrer de calor e com a Fabi eu tenho que ficar meio imóvel pra ela não ir embora... só a Panqueca é mais flexível :)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Bichos e meus 8 gatos

Tenho uma visão MUITO forte sobre o tratamento dado pelos seres humanos aos animais. Tenho um grande amigo que uma vez disse e eu o cito: "Espero que as baratas façam melhor".

Somos uma raça escrota, escravizamos, usamos e abusamos de tudo que conseguimos em benefício próprio. Poucos de nossa espécie ponderam sobre como suas ações afetam as d+ coisas vivas envolvidas ou próximas no que eu chamaria de "teoria da propagação"*. Ou seja, eu seria vegetariana se não tivesse certeza que iria morrer de desnutrição dada a minha profunda incapacidade de regular a minha alimentação (mas esse é outro post). Não me entendam mal, não tenho problemas em matar bichinhos de uma forma "humana". Pra mim a morte, de um humano ou de um animal, não é a pior coisa que pode acontecer a essa criatura, na verdade em alguns casos pode por fim a uma situação de profunda miséria (sim, sou a favor do suicídio assistido). No entanto, tenho sérios problemas com as condições nas quais mantemos os animais que consumimos e a visão e forma industrial como os tratamos. Eles sentem dor e medo, se a ciência não provou isso qualquer idiota que tenha passado um tempo com um animal sabe disso, eles podem não ter a compreensão racional das coisas, mas cortar bicos de aves e mantê-las em espaços superlotados e com uma luz ligada o tempo inteiro pra que eles engordem mais rápido me faz querer vomitar, da mesma forma que a única história à qual eu tive coragem de me expor no site da PETA foi sobre uma vaca que teve as pernas quebradas ao ser levada pro abate (dada a delicadeza com que eles lidavam com os animais) e passou 2 dias sob o sol escaldante esperando um veterinário aparecer pra sacrificá-la e no meio tempo não teve UM, UM fdp pra levar sequer àgua pro pobre animal ou tentar protegê-lo do sol. Afinal de contas, era só uma vaca.

Sendo assim, e por muitas pessoas, inclusive amigos meus, desconsiderarem essa dor enorme que provocamos a outras criaturas vivas que eu desprezo seres humanos. É pesado, mas é verdade. Ver uma criança sofrendo me afeta, mas não mais do que uma vaca, cachorro, gato ou o animal que seja. Pq como eu costumo perguntar: vc conhece algum animal q cresceu e roubou, matou, estuprou e lesou alguém? Não, muito pelo contrário! Encontramos animais nas mais cruéis condições que continuam fiéis aos seus donos. E a única justifica pro tratamento que dispensamos a eles é ganância e uma maldade profunda e atroz, uma maldade da alma. Só de ler sobre os cachorros na China que são fervidos vivos ou estrangulados lentamente com o propósito de amaciar a carne fico revoltada. Se nós somos superiores não quero viver pra conhecer os inferiores. Dada nossa indescritível e constante demonstração de compaixão uns pelos outros e por tudo que nos cerca, eu acabei desse jeito que você lê aí em cima. Completamente descrente, de td e de todos. Nunca fui católica ou de qq religião, sempre fui atéia, mas eu poderia acreditar nas pessoas, contudo a realidade massacrou qq possibilidade disso acontecer.

Eu sei que essa minha visão faz com que eu viva num mundo um tanto qto negro, mas inacreditavelmente tb me faz uma pessoa melhor pq eu me esforço no q posso pra me destacar nem que seja meio centímetro da bosta. Pode ser q eu morra só com o topinho da cabeça pra fora da merda, mas isso pra mim já vai ter sido uma conquista. O que me leva aos meus pequenos, meus gatitos, meus amores, minha vida. Já resgatei tanto bicho na minha vida que perdi a conta. Tive muita ajuda e empenho de muitas pessoas, os 8 que ficaram comigo acabaram ficando, tendei arranjar uma casinha pra eles, mas não consegui.

A Juju encontrei amarrada no portão do prédio de onde eu morava e como naquela época só tinha a Fabi e a Peque, ela acabou ficando. Quando a Peque, meu xodó dos xodós faleceu consumida pelo câncer, na tentativa estúpida de preencher um vácuo que persiste até hoje, adotei, sem remorço, o Fóton e a Peteca, irmãozinhos de uma ninhada de uma gatita que deu a luz na casa da mãe de um amigo meu. Depois deles veio o Pudim, um persa, que ganhei da minha ex-sogra. Jamais aceitaria se ele tivesse sido comprado pq, por razões óbvias, sou contra a compra de animais, mas a persinha dela ficou prenha, deu a luz a dois gatinhos e o Pudim veio pra casa. Na sequência encontrei o Victor num ponto de ônibus de uma avenida, amedrontado e pequenininho, não ia conseguir deixar ele lá pra morrer atropelado, foi comigo numa caixinha pra casa. Ele foi meu primeiro "pretinho" básico, entre aspas pq o monstrinho se tornou não em peso, mas em tamanho o maior gato que eu já vi, ele é ENORME. Não consegui doá-lo pq ninguém quer gatos pretos e eu tentei... Depois disso veio o Humbertinho, o mendiguinho feliz, encontrado na praça em frente a casa da minha mãe, pretinho e fedido, veio correndo na nossa (minha e do Du) direção pulando feito um bobo, foi pra casa e mais uma vez, o pretinho não teve vez. Ele deve pesar mais ou menos o que o Victor pesa, uns 7 kgs, mas no caso dele é gordurinha pura. Por fim, no conturbado ano passado, uma gatinha foi atropelada na garagem do meu prédio. Num ato extremo de compaixão o fdp q viu q atropelou a gata largou ela lá ao Deus dará e só me avisaram 3 dias depois. Essa é a Panquequinha, ela passou 3 dias com a bacia fraturada em 3 pontos e a tíbia encavalada num frio do caralho se arrastando pela garagem. Foi atropelada na sexta pela manhã e resgatada na segunda à noite, o mais impressionante de td é q uma vez resgastada ela não queria comida, àgua ou o q fosse, queria minha mão, queria carinho. E é esse comportamento q faz com que meu coração se parta. Largada pra morrer de fome, frio e sede, quando encontrou uma mão que fizesse carinho ela não precisava de mais nada.

E é assim que eu acabei com 8 gatos. Dois pretinhos que eu tentei, mas nunca consegui doar e a Panqueca que veio como presente. Ela estava grande d+ e danificada d+ pra q eu conseguisse uma casa, sem contar que minha vida estava caótica d+ pra eu conseguir pensar em doá-la e pra quem já achava que estava com gatos d+, um a mais, um a menos... Ela ficou. Essa foi a intro, com o tempo vocês vão conhecer todos eles melhor. A única que falta mencionar melhor é a minha idosinha, a Fabi. Ela está com 15 anos agora e como toda idosinha está com seus problemas, meu coração aperta quando eu olho pra ela e eu sei que decisões difícieis se encontram pelo meu caminho, não só com ela, mas com todos, uma vez que infelizmente as chances de que eu presencie suas velhices e mortes é enorme, mas até lá, pretendo dar a eles a melhor vida que eu puder.

Vale ressaltar que o Du, meu ex-marido estava presente na morte da Peque, adoção do Fóton, Peteca, Pudim, Victor, Humberto e Panqueca. E com a ajuda dele posso me dar ao luxo de mantê-los todos. Ele sempre teve o mesmo espírito e amor que eu pelos bichos e por essa companhia e ajuda eu sempre vou ser grata. Os pequenos sentem falta dele e eu sei, por certo, o quanto ele ama a todos eles, inclusive a Fabizinha, com quem ele só conviveu nos últimos anos.

*Teoria da propagação: Pegue o que você quer fazer\está fazendo. Agora imagine se todas as demais pessoas do mesmo ambiente, grupo, país, prédio, cidade, local onde a ação ocorre\afeta tomassem a mesma atitude. Se o resultado for caos ou insuportável\impossível de conviver eu acredito que eu não preciso dizer que você não deveria fazer o que você está fazendo ou quer fazer.